Biblioteca Mário de Andrade

Biblioteca Mário de Andrade

A Biblioteca Mário de Andrade foi construída durante a direção de Rubens Borba de Morais, participando de seu plano de criação de uma rede de bibliotecas em São Paulo. Construída a partir do projeto do arquiteto francês Jacques Pillon, a biblioteca é considerada um marco da arquitetura art-déco na cidade, tendo sido, por isso, tombada pelo Compresp e Condephaat.

Mas a sua importância não reside só aí. A Biblioteca também testemunha a afirmação de um novo projeto político de modernização do país, calcado no investimento na educação, na cultura, na industrialização e na urbanização. À iniciativa de se criar uma rede de bibliotecas somou-se a construção de parques infantis, escolas, teatros e equipamentos desportivos, entre eles o Estádio Municipal do Pacaembu.

A Biblioteca marca  também expansão e verticalização de São Paulo para além dos limites do centro velho rumo ao eixo sudoeste, além da transferência e ampliação dos serviços, comércio e atividades culturais e de lazer para esta nova área da cidade.  Das lojas de comércio requintado às sedes de escritórios e empresas de todos os tipos, passando pelas faculdades de Filosofia, Ciências Humanas e Letras, Sociologia e Política, Arquitetura e Urbanismo, redações de jornais, estúdios de rádio, cinemas, teatros, museus, livrarias, salões de baile e clubes; escolas de dança, cafés, bares, confeitarias, tudo passa a ser construído nas proximidades da Praça Dom José Gaspar, a biblioteca sendo também por isso o ponto central de uma nova sociabilidade urbana que se constituía naqueles anos e que ainda hoje reverbera no centro.

Recentemente, foi objeto de uma ampla reforma feita pelo escritório Piratininga que restaurou os móveis da década de 40 restaurados, garantiu acesso para deficientes físicos e mais de 30 computadores para consulta do acervo de cerca de 327 mil livros. Além da estrutura, cerca de 200 mil livros que estavam tomados por cupins e brocas passaram por uma desinfestação feita com nitrogênio. A biblioteca guarda um acervo de cerca de 51 mil obras raras. Entre elas, estão cartas escritas por padres jesuítas, como as do padre Manoel da Nóbrega, em 1551. Também estão guardadas na biblioteca publicações da imprensa régia, a primeira a ser instalada no Brasil com a vinda da corte portuguesa, em 1808.



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