Capela Santa Luzia

Suspensa a 31 metros do chão, a capela Santa Luzia, obra tombada como patrimônio cultural de São Paulo, tem quase cem anos de funcionamento. Sua suspensão se dá por meio de oito pilares, quatro de cada lado da estrutura.  

Projetada pelo italiano Giovanni Battista Bianchi, ela foi inaugurada em 1922, nas dependências do antigo Hospital Matarazzo. Localizado entre a Rua Itapeva e a Alameda Rio Claro, o hospital ocupa uma área de cerca de 27.000 metros quadrados.

A arquitetura antes nunca vista da igrejinha surpreendeu os visitantes do local. A suspensão em si só foi vista por conta das obras abertas em 2015 pelo grupo francês Allard, que investe na reforma de prédios históricos e faz empreendimentos comerciais.  A empresa comprou, por cerca de 115 milhões de reais, a área do Hospital – fechado e abandonado desde 1993 – para transformá-lo na Cidade Matarazzo, um complexo com hotel seis-estrelas, apartamentos, lojas, restaurantes, um cinema com mais de 100 lugares e um teatro.

 

 

 

Diante da imposição, pelo decreto de tombamento, do mais alto grau de proteção à capela de Santa Luzia e à Maternidade Condessa Filomena Matarazzo, sua vizinha, as razões de ser da imponente estrutura de concreto armado sob a igreja são, além de aproveitar ao máximo o espaço, mantê-la exatamente no local onde repousa há quase um século – mesmo durante a escavação de 31 metros abaixo dela para a construção de oito andares de subsolo.

As escavações começaram em outubro de 2017, depois do devido sinal verde à empreitada pelos órgãos estadual e municipal de preservação do patrimônio histórico: Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) e Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo). A previsão é de que o empreendimento seja inaugurado no primeiro semestre de 2020.

 

A obra:

Após o terreno ser isolado, a primeira etapa foi a construção das oito estacas, os “estacões”, que compõem a nova fundação da capela e suportam suas 1.075 toneladas. Foram abertos oito buracos de 54 metros de profundidade e 1 metro de diâmetro no solo, quatro de cada lado da edificação, depois preenchidos com 54 metros cúbicos de concreto, processo que levou cinco dias de trabalho. Cada um dos pilares suporta 500 toneladas.

Em seguida, o piso da capela foi demolido – a parte original do assoalho, de mármore, que lá estava desde 1922, foi catalogada, armazenada e será reposta depois do fim da obra. Cada peça será recolocada exatamente onde estava. O altar, também de mármore, continua na capela durante a obra e ganhou uma base extra de sustentação para evitar trincas.

Novas vigas foram construídas e preenchidas com concreto, para se formar uma plataforma de suporte, tecnicamente conhecida como laje, onde a capela começaria a se sustentar. A laje abaixo da igrejinha, que passou a ser o chão dela, tem 19 metros de comprimento, 17 metros de largura, 1,15 metro de espessura e levou dois meses para ficar pronta.

Embora a igreja já estivesse apoiada na nova plataforma de concreto, sua base ainda estava em contato direto com o solo. Para “descolar” antiga base da capela do solo e deixá-la apoiada somente sobre a nova estrutura, sem, no entanto, causar-lhe avarias, era necessário um método cirúrgico de remoção de terra. Utilizou-se, então, um jato de água de alta pressão, processo conhecido como hidrojateamento, para tirar cerca de 7 centímetros de terra sob a fundação original.

Até o momento, foram escavados 28 metros de profundidade abaixo da capela – o projeto prevê 31 metros – e concluídas outras duas lajes. Uma terceira está em construção e haverá, ainda, uma quarta. A previsão é que a escavação seja concluída até setembro de 2018.

Por dia, são retirados do local mais de 50 caminhões de terra. O material é despejado em um aterro na região de Cotia, na Grande São Paulo, a cerca de 40 quilômetros do canteiro de obras na capital paulista. O responsável pelo projeto de escavação da capela é o engenheiro Mario Franco, que conta com o auxílio do seu companheiro de profissão Carlos Eduardo Moreira Maffei.

 

Fonte: Veja

 



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