Especial Dia da Mulher: Elisabete França

Especial Dia da Mulher: Elisabete França

Com 30 anos de experiência em projetos urbanos, ambientais, habitacionais e gestão de projetos participativos, a arquiteta e urbanista Elisabete França realizou projetos inéditos em São Paulo. Colocou moradores de baixa renda em edifícios bem projetados, sem grandes deslocamentos entre a ocupação original e o reassentamento, com o intuito de não afetar suas rotinas. O projeto Cidade Nova Heliópolis, que leva assinatura do escritório Biselli Katchborian, é um deles. Possui passarelas metálicas interligando os blocos baixos e com pátio central, padrão parisiense. Cada unidade, ao todo são 420, tem 50 metros quadrados.

Sobre os programas habitacionais e de financiamento do governo federal, ela manifesta preocupação, principalmente com o debate em torno deles. A divulgação gira em torno somente da engenharia e do mercado de construção civil, o número de unidades entregues, a quantidade de materiais empregados, etc. “O debate urbanístico e a qualidade do bairro que está sendo agregado ao tecido urbano acaba ficando de lado”.

Mulheres

Segundo o Censo do CAU/BR, publicado em 2013, as mulheres já representam 61% dos arquitetos no Brasil, uma tendência que vêm crescendo ao longo das décadas. A predominância delas também é maior entre os profissionais mais jovens, com as mulheres ocupando mais da metade das vagas nas universidades. Entretanto, elas ainda ganham menos do que os homens.

Em sua carreira, Elisabete França nunca presenciou disparidade salarial entre arquitetos de gêneros diferentes. Ela acredita que a diferença de renda se dê devido ao topo da profissão ainda ser um espaço masculino, “a profissão ainda tem espaços masculinos, mas não é machista”. Ainda com a mudança no perfil da base, é raro ver nomes femininos em prêmios, cargos de gestão ou em grandes projetos. O mesmo Censo do CAU mostra que na faixa acima de 60 anos os homens respondem por 71% do total. “Isso tende a mudar no futuro” afirma Elisabete.

Arquitetura

O brasileiro, em geral, ainda entende a Arquitetura como um privilégio, um serviço de luxo que só os ricos poderiam ter. Elisabete França deu um exemplo de que ações locais podem gerar grande reconhecimento aos arquitetos. “Em Paraisópolis, quando houve abertura para participar, os moradores escolheram as cores do conjunto e passaram a conhecer e reconhecer os arquitetos que acompanharam as obras.”


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