Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP

by Julia | 19 de abril de 2014 19:45

O prédio da FAU-USP é um exemplar único da materialização de um conceito de escola como um lugar onde todos se reúnem para aprender, ensinar e aprender a ensinar. Isso é ressaltado pelo fato da escola não ter portas, sob uma cobertura única, indicando que o aprendizado é um processo aberto e criativo, e que, dentro do universo coberto da escola, todo momento é um momento do aprender.

O que mais chama a atenção no projeto do prédio da FAU é a cobertura única e translúcida em grelha estrutural envolta pela empena cega de concreto, que transforma o edifício numa metáfora de praça coberta, ágora, a espaço urbano e político, assim como as oposições entre aberto e fechado, leve e pesado.

Nessa nova maneira de pensar o prédio da escola, o processo de aprendizado, de produção de conhecimento, não se dá exclusivamente na sala de aula. Nas conversas com os colegas e os mestres, os espaços da escola são quase como os espaços da cidade, suas ruas, calçadas, praças.

Outros edifícios da Cidade Universitária empregam o princípio da iluminação zenital, mas de maneira secundária, em que não vão além de aberturas na laje, para permitir uma iluminação concentrada. Já a cobertura em grelha, empregada por Vilanova  Artigas e Carlos Cascaldi é mais ousada.

No artigo Notas sobre a gênese de um ícone: a construção da FAUUSP na Cidade Universitária, Felipe de Araujo Contier ressalta que nos estúdios de projeto, o coração de uma escola de arquitetura, a relação dos estudantes com o exterior se faz “pela iluminação solar e pela chuva e não pela paisagem e pela visão. Essas grandes empenas cegas são muito paradoxais do ponto de vista das diretrizes modernas, pois misturam funções de vedo e estrutura. A estrutura não é independente. O mesmo se pode dizer das divisórias dos estúdios em concreto armado, no único pavimento em que a planta livre é negada”.

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