Três grupos distintos disputam o futuro do Minhocão. Conheça-os

Três grupos distintos disputam o futuro do Minhocão. Conheça-os

O Novo Plano Diretor de São Paulo, que orientará o desenvolvimento da cidade nos próximos 15 anos, deu gás à discussão pública sobre o futuro do elevado Costa e Silva, o Minhocão. No plano está prevista a desativação definitiva do elevado, criado nos anos 70 como via rápida entre a Zona Leste e a Zona Oeste da cidade.

A sociedade civil já se mobiliza fortemente em torno de propostas que disputam espaço na inevitável decisão que se aproxima: o que fazer com o Minhocão? Três grupos se destacam: “Movimento Desmonte Minhocão”, “Associação Parque Minhocão” e “SP sem Minhocão”. Dentre moradores, apreciadores do elevado fechado para lazer, artistas e frequentadores, tem se destacado a posição polarizada entre a adaptação da estrutura em um parque linear elevado (veja exemplos abaixo) ou o desmonte completo da via expressa. Segundo a Folha de S. Paulo, 56% dos paulistanos defendem a manutenção da via para os carros, mas essa proposta está fora de cogitação, devido à decisão da Câmara Municipal ao aprovar o Plano Diretor.

O Arquitetura para Todos, portal do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, convidou um membro ativo de cada um dos três grupos articulados da sociedade civil para que se posicionem:

SP sem Minhocão

Rejeitam o binarismo da discussão e trazem outros elementos ao debate, como a articulação com o Centro inteiro, não somente com os bairros adjacentes. Ainda não possuem proposta definida.

O grupo “SP sem Minhocão!” surgiu do encontro de pessoas que, em comum, tem o hábito de acompanhar as discussões ocorridas sobre o futuro da cidade na Câmara de Vereadores e no Executivo. O projeto: ampliar os mecanismos de participação direta do cidadão nesta discussão. Não aceitar correntes organizadas que continuem se apresentando como representantes de “todos”. Buscar, através da discussão, do diálogo, das vozes qualificadas ou não, um interesse maior.

Gerar mecanismos participativos amplos, criar uma cidade realmente democrática e inclusiva. Pensar a cidade de uma forma generosa. A razão da nossa insistência neste tipo de projeto é clara: Quem está satisfeito com a cidade que temos? A cidade que queremos é o resultado da escuta mútua, da quebra de paradigmas e da repetição de erros resultantes de um modelo segregado. É garantir que cada um de nós constrói, participa e faz parte do lugar onde vive.

Gilberto de Carvalho, engenheiro civil, 64 anos, morador do Jardim Paulista

Movimento Desmonte do Minhocão

Representam os moradores do entorno. Rejeitam o parque e defendem o desmonte completo do elevado.

 

Fundado há exatamente um ano – agosto de 2014 – foi constituído pela união de associações, líderes comunitários, amigos e moradores que residem e/ou trabalham ao longo ou no entorno do Elevado Presidente Arthur da Costa e Silva, de três quilômetros e quatrocentos metros de extensão, com população estimada em 230 mil moradores, que unidos, pedem às autoridades o DESMONTE desta construção, já que o Plano de Diretor, aprovado para o Município de São Paulo, em relação ao Minhocão coloca as opções: sobre ele fazer um parque ou desmontá-lo.

Nosso movimento foi criado visando melhorar a qualidade vida das pessoas que moram, trabalham ou passam pelo local, pois somos afetados diretamente pelos graves problemas das poluições – atmosférica, sonora e visual -, de saúde e de segurança.

Somos um movimento de caráter ordeiro, pacífico, apolítico e sem fins lucrativos, cuja finalidade é obter das autoridades o desmonte do elevado e ao longo de seu traçado, construir avenida belamente arborizada, florida, iluminada, interligando o primoroso Parque da Água Branca ao futuro Parque Augusta, que constitua novo cartão postal da cidade, reurbanizando a região e revitalizando o comércio.

Francisco Machado, síndico, 53 anos e morador de Santa Cecília

Associação Parque Minhocão
Defendem a criação de um parque elevado. Não possuem proposta de como deverá ser o parque.

Nós, da Associação Parque Minhocão, somos contrários à demolição do elevado e defendemos a sua consolidação como área de lazer, conforme está sendo espontaneamente utilizado pela população há mais de 25 anos.

Em julho de 2015 ocorreu um importante avanço, conquistado por pressão do grupo do Parque Minhocão: o prefeito Fernando Haddad resolveu abrir o Minhocão para as pessoas todos os sábados, a partir das 15 horas. Todavia esta intensa utilização do Minhocão, como área de lazer pela população, até hoje não é reconhecida oficialmente pela prefeitura.

A Associação Parque Minhocão não tem e nem pretende ter projeto arquitetônico próprio. Defendemos que, no momento oportuno, seja realizado um concurso público, coordenado pela prefeitura e pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil, após consulta dos moradores e freqüentadores do espaço quanto ao programa arquitetônico e de uso do parque.

Athos Comolatti, empresário, 62 anos, mora nos Jardins

A série de documentários Arquiteturas dedicou um de seus episódios à polêmica do Minhocão. Em seu site, a série divulga material extra. Arquiteturas estreia em setembro, no canal SescTV.

A série é produzida pela Revanche Produções e Miração Filmes

Há outras experiências com elevados que podem nortear a discussão sobre o futuro do Minhocão. Conheça algumas:

High Line, em Nova Iorque (Estados Unidos)

O High Line, com aproximadamente metade do tamanho do Minhocão, é uma via elevada construída para trens e que passa pelo miolo das quadras industriais. Com a desindustrialização de Nova Iorque, a via elevada ferroviária foi abandonada. Uma parte foi demolida, mas em 2009 foi inaugurado o primeiro trecho da nova proposta, de aproveitar a estrutura e fazer dali um grande parque linear elevado. Um grande sucesso desde o início, o High Line valorizou o seu entorno e se integrou com a cidade a sua volta. O terceiro trecho foi inaugurado em 2014. Ao contrário do Minhocão, o piso térreo ao longo de todo o High Line é composto por espaços privados, que ganharam outro significado com a abertura do parque linear.

Promenade Planteé, em Paris (França)

Outro parque construído a partir de uma via férrea elevada desativada, o Promenade Planteé tem 4,5 km de extensão e foi construído no século XIX. Ao final dos anos 80, a estrutura e os arcos foram restaurados e o parque linear inaugurado em 1994, o primeiro do mundo. O jardim elevado encanta moradores e turistas e serviu de inspiração para o High Line. O Promenade também é diferente do Minhocão, segue paralelo a uma avenida, e não sobre ela. Sob seus arcos de 10 metros de altura é possível encontrar comércio de flores, artesanato e decoração que se aproveitam do abrigo do elevado e da amplitude da calçada térrea.

Elevado Perimetral, Rio de Janeiro

A via Elevado Perimetral foi uma avenida expressa suplementar elevada construída sobre a avenida Rodrigues Alves. Sua construção data dos anos 50, como uma importante via para desafogar o trânsito no centro do Rio e na zona portuária. O bloqueio da visão do mar marcou profundamente os bairros do entorno.

Atualmente, com os projetos em torno da reforma urbana do Porto Maravilha, o Elevado da Perimetral, antes visto como solução de trânsito, passou a ser um obstáculo aos novos empreendimentos. Críticos à demolição chegaram a sugerir o uso da via como jardim suspenso ou como estrutura para um monotrilho, mas em 2013 e 2014, todos os trechos do Elevado da Perimetral foram implodidos.


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