João Filgueiras Lima, Lelé

João Filgueiras Lima, Lelé

Um acidente de automóvel com sua esposa, em 1963, aproximou o carioca João Filgueiras Lima (1932) de Aloysio Campos da Paz (1934), um médico que iria presidir a Fundação das Pioneiras Sociais dos Hospitais Sarah Kubitschek. E assim surgiram os notáveis edifícios hospitalares projetados por Lelé, como Filgueiras é mais conhecido.
Lelé Formou-se em 1955 na Escola Nacional de Belas Artes – Enba, no Rio de Janeiro e foi trabalhar como desenhista no Instituto dos Aposentados e Pensionistas – IAP. Dois anos mais tarde, foi encarregado de desenvolver e acompanhar a construção dos alojamentos de operários em Brasília e mudou-se para a capital ainda em construção.
Ali envolveu-se na pesquisa de componentes industriais para obras em grande escala. Seus primeiros projetos foram a residência para a embaixada da África do Sul, 1965, e as sedes das montadoras Disbrave-Volkswagen, 1965, Planalto Automóveis-Ford, 1972, e Codipe-Mercedes Benz, 1973, todos em Brasília.
Uma de suas marcas registradas é o uso criativo e ousado de sistemas pré-fabricados de construção em série, que o levaram a criar fábricas de pré-moldados – as primeiras montadas em Salvador, em 1979, para projetos urbanos criados pelo prefeito Mario Kertész. Mais adiante desenvolveu “fábricas de hospitais”, montadas para a construção da rede Sarah Kubitschek, onde foram feitos não apenas os elementos construtivos, mas objetos hospitalares.
Lelé passou a usar a argamassa armada, mais leve que o concreto armado em muitas obras, como as escolinhas de Abadiânia, 1982, no interior de Goiás e também na “fábrica de escolas” do Rio de Janeiro, em 1984, e na Fábrica de Equipamentos Comunitários – Faec, 1985, em Salvador, voltada para a produção de peças de equipamento urbano: escada, arrimo, canaleta pluvial, banco, ponto de ônibus, passarela etc.
As soluções arquitetônicas presentes em suas obras lhe garantiram o prêmio da Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo, em Madri, 1998; a Sala Especial na Bienal de Veneza de 2000; e o Grande Prêmio Latino-Americano de Arquitetura da 9ª Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires, em 2001. Também recebeu o prêmio Transformadores da revista Trip.


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