O uso de fachadas ativas na revitalização das áreas centrais por Garibaldi Rizzo

O uso de fachadas ativas na revitalização das áreas centrais por Garibaldi Rizzo

Texto de Garibaldi Rizzo, arquiteto e urbanista.

O arquiteto e urbanista Benny Schvasberg fez a palestra de abertura do Seminário Legislativo A cidade que queremos, realizado pelo CAU-GO em parceria com a Câmara Municipal de Goiânia, na oportunidade abordou o tema Lei e Cidade: Bases Urbanísticas e Institucionais para as cidades no Brasil, propondo o desenho de uma cidade melhor. Em sua palestra Benny destacou o novo Plano Diretor Estratégico (PDE) do município de São Paulo, aprovado recentemente pela Câmara. A aplicação de diretrizes que estão no PDE pode ser uma importante ferramenta para a mudança na forma como a cidade cresce. O plano prevê uma cidade mais compacta, com adensamento urbano em torno dos eixos viários de transporte público e contenção do crescimento horizontal, o que reduziria os deslocamentos diários. “É importante ocupar esses lugares e fazer a cidade crescer para dentro”, afirma o arquiteto. O desenvolvimento das áreas centrais da cidade, que compõem o chamado centro expandido, é mais vantajoso que o crescimento em direção à periferia. “O conceito de uma cidade compacta é mais sustentável por permitir o melhor aproveitamento das estruturas urbanas e de infraestrutura”, defende.

Uma das bandeiras do novo Plano Diretor Estratégico de São Paulo, as chamadas “fachadas ativas” já enfeitam a paisagem da cidade há algum tempo, às vezes como bons casos de integração das edificações com o tecido urbano, outras como espelhos da degradação de certas regiões paulistanas. No texto de lei atualmente em discussão na Câmara Municipal, as fachadas ativas são definidas como a “exigência de ocupação da extensão horizontal das fachadas por uso não residencial, com acesso direto e abertura para o logradouro, a fim de evitar a formação de planos fechados na interface entre as construções e o logradouro lindeiro, promovendo a dinamização dos passeios públicos”. Conceitualmente, as fachadas ativas são hoje consenso entre urbanistas como instrumentos de promoção de um relacionamento mais harmônico entre edifícios e a cidade, na opinião do arquiteto Milton Braga, do Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole (Urbem). “Estamos combatendo a cidade setorizada e o prédio monofuncional, com um grande muro ou uma grade com jardim, portanto, a alternativa é o próprio comércio. E, como as nossas calçadas são pequenas, é muito bom que haja uma integração”, diz Braga.

Esta visão também é defendida pelo Sindicato de Arquitetos e Urbanistas de Goiás para ser aplicada em Goiânia, especificamente nos eixos viários da Capital, na Avenida Anhanguera, por exemplo, que irá receber o VLT, sendo um local ideal de adensamento urbano com o uso misto residencial e comercial, incentivando pontos comerciais com atividade ininterrupta, dando vida às ruas durante as noites, aumentando a sensação de segurança e dar vida a áreas em processo de decadência.

(Texto publicado originalmente no site do Diário da Manhã, em 3 de setembro de 2014)



Artigos relacionados

São Paulo vista pelo Departamento de Estado dos EUA (em inglês)

Documentário do Escritório de Assuntos Inter-Americanos dos Estados Unidos sobre a cidade de São Paulo em 1949.

Arquitetura Social de Vilanova Artigas

João Batista Vilanova Artigas foi um dos mais importantes arquitetos de São Paulo. Em sua carreira, tanto em projetos como acadêmica, praticou a arquitetura social. Entenda este conjunto de conceitos com este vídeo.

Oscar Niemeyer

Oscar Niemeyer é, sem dúvida, um dos brasileiros mais conhecidos em todo o mundo e um dos arquitetos de maior destaque internacional. Sua marca característica são as construções com curvas e ondulações variadas.

Sem comentários

Escreva um comentário
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar esta postagem.

Escreva um comentário

Deixe uma resposta