Paulo Mendes da Rocha abre série de palestras sobre o Centenário de Artigas

Paulo Mendes da Rocha abre série de palestras sobre o Centenário de Artigas

Paulo Mendes da Rocha, ganhador do prêmio Pritzker, deu início na noite desta quarta-feira, dia 1, às 20h, ao primeiro de quatro encontros sobre a vida e obra do arquiteto Vilanova Artigas, que completaria 100 anos em 2015. O centenário de nascimento do urbanista, professor da FAU e militante político é lembrado com o lançamento de um documentário nos cinemas, um livro e uma exposição, a Ocupação Artigas, no Itaú Cultural, em São Paulo, sede dos quatro encontros.

Além de arquiteto e urbanista, Artigas também foi professor universitário e militante do PCB, e assinou o projeto do prédio onde lecionou, a FAU. Sua atuação política lhe custou a carreira como professor durante a ditadura militar. O exílio no Uruguai, e sua volta clandestina ao Brasil foi lembrada em um dos episódios narrados por Paulo Mendes da Rocha. O partido que organizou tudo, pois um amigo chegou a dizer que Artigas estaria sujeito ao suicídio se continuasse exilado.

Entretanto, em sua palestra Paulo Mendes enfatizou a urgência pedagógica de Artigas, lembrando episódios em que fora assessor assistente dele. Muito em parte devido à sua formação filosófica, Artigas tinha o talento de fazer com que seu aluno “se tornasse participante do processo de aprendizado. Ele não dizia a você o que fazer. Até perguntava, conversava ‘como vão as coisas’ e fazia com que você visse as mesmas coisas então já com outra perspectiva capaz de pôr em discussão aquilo que imaginava já saber. Uma visão nitidamente marxista, dialética, mas muito sedutora, factível, coloquial, de frutificação inexorável.”

Diante do auditório lotado, a maioria estudantes, Paulo Mendes contou que arquitetura de Artigas estaria nos detalhes, no grande projeto, e também na cozinha de uma casa, que pode ser o centro pulsante da vida do lar. Seus projetos buscavam essa harmonia entre a casa e a cidade. Essencial para o urbanismo brasileiro e prestigiado internacionalmente, Artigas tinha como base a convicção de que a arquitetura tem uma função social e de que a profissão nasce do vínculo entre arte e técnica – um projeto, um “desenho”, é tanto funcional quanto expressivo. Paulo citou como exemplo de detalhe expressivo a coluna utilizada na Rodoviária de Jaú. O pilar, transformado em quatro consolos que apoiam as vigas fora da projeção do prumo do pilar, era coberto por uma cúpula translúcida. “Não me lembro de nada semelhante, é uma invenção do Artigas”. O conjunto conservou a beleza, ao mesmo tempo em que aumentava a área de apoio, objetivo da invenção.

Quando o curso ainda era unido à Engenharia, Artigas defendia uma grade curricular específica e multidisciplinar para os arquitetos. Suas aulas na eram lotadas, semelhante ao auditório do Itaú Cultural numa fria noite de quarta-feira, durante a palestra de Paulo Mendes da Rocha. Paralelamente à palestra ocorreu o lançamento do livro Vilanova Artigas, escrito por sua filha, Rosa. A extensa fila composta majoritariamente por estudantes é uma amostra da influência dessa figura nos jovens arquitetos de hoje.

Ao longo do mês de julho, Nabil Bonduki (dia 8), Luiz Gê (dia 22), e Jorge Mautner (dia 29) completarão o circuito de quatro encontros com o público para falar da vida e obra de Artigas, sempre às quartas-feiras, às 20h, no Itaú Cultural, na Avenida Paulista. Além dos encontros, a exposição com croquis, projetos e fotos segue até 9 de agosto. A mostra traz as várias faces do arquiteto além dos projetos. Mais que professor e militante político, o público poderá ver as brincadeiras com desenhos que ele fazia com seus netos, que inspiraram o livro À Mão Livre do Vovô. O lançamento é neste sábado, dia 11 de julho às 14h30, e, logo depois, há uma oficina de contação de histórias para crianças. Um pouco antes, às 11 horas, a filha de Artigas, Rosa, que também é curadora da exposição, dará uma visita guiada pela galeria.

Veja o trailer do filme Vilanova Artigas: O Arquiteto e a Luz

 

Serviço:
Ocupação Artigas

Visitação
quarta 24 de junho a domingo 9 de agosto
terça a sexta 9h às 20h [permanência até as 20h30]
sábado, domingo e feriado 11h às 20h

Encontros
sempre às 20h
Sala Itaú Cultural


Tags:
Artigas

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