Rio de Janeiro pode sediar o maior fórum de arquitetura do mundo

Rio de Janeiro pode sediar o maior fórum de arquitetura do mundo

No próximo domingo, dia 10 de agosto, os brasileiros irão saber se o Rio de Janeiro vai sediar o 27º Congresso Mundial de Arquitetos, em 2020. A decisão será tomada na assembleia geral da União Internacional de Arquitetos e Urbanistas (UIA), em Durban, na África do Sul. A candidatura brasileira foi proposta pelo IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil) e conta com o apoio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e de entidades americanas e africanas.

A capital carioca disputa com rivais de peso: Melbourne, na Austrália, e Paris, na França. A delegação brasileira irá defender a candidatura do Rio de Janeiro durante a 25ª edição do evento, que também ocorre em Durban, desde o dia 4, segunda. A cidade sede será escolhida após o término do fórum no país africano.

 Por que no Brasil?

A proposta brasileira é consistente. Sob o tema “Todos os mundos. Um só mundo. Arquitetura 21” centrado nos desafios das cidades contemporâneas, particularmente as dos países em desenvolvimento, que vem conquistando maior espaço na geopolítica internacional. Nesse contexto de deslocamento dos eixos de influência, a capital carioca se destaca como um dos mais importantes centros urbanos do hemisfério Sul. Sua relevância é reforçada com a sua vocação turística bem consolidada e experiência de hospedar grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Para além disso, uma metrópole que se urbanizou rapidamente no século 20 e hoje possui 12 milhões de habitantes, o Rio é um mosaico complexo e cheio de contrastes tanto urbanos, entre as favelas e o asfalto, como naturais, entre as montanhas e o litoral. Sua candidatura se fundamenta neste cenário de problemas, desigualdades, erros e acertos, o que torna o Rio uma cidade síntese dos desafios e possibilidades para a arquitetura do século 21.

O presidente do IAB, Sérgio Magalhães, explica que o Brasil apresenta inúmeras possibilidades da arquitetura do Século 21. “Acreditamos que a arquitetura deste século não pode se prender as amarras dos dogmas. É preciso que haja, para a construção de cidades mais tolerantes, uma simbiose entre a cultura popular e a dos arquitetos, que respeite a preexistência. Isso pode ser visto no Rio”, afirmou.

Para Haroldo Pinheiro, presidente do CAU/BR (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil), esta é uma oportunidade histórica para as entidades brasileiras. Em 2020, o CAU completará 10 anos de existência e o IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), 99 anos. Além disso, Brasília, ícone do modernismo, terá 60 anos de sua fundação. A UIA, lembra ele, “sempre esteve ao lado do IAB e dos arquitetos brasileiros na luta pela criação do CAU”. Destaca ainda  que o Congresso possibilitará ao Brasil apresentar ao mundo os novos rumos de nossa arquitetura “e a defesa e os ganhos da categoria na defesa da qualificação de nossos espaços urbanos”.

Para o conselheiro federal do CAU/BR por Santa Catarina, Roberto Simon, candidato a uma vaga no Conselho da União Internacional dos Arquitetos,  “trazer o diálogo da arquitetura e do urbanismo mundial  para o Brasil reitera a importância do país no debate sobre as questões urbanas, seja pelo adensamento populacional, seja pela posição estratégica e protagonista ocupada pelo Brasil no cenário internacional”.

Amplo apoio

A candidatura também recebe apoio das principais entidades brasileiras, como FNA (Federação Nacional de Arquitetos e Urbanistas),  ABEA (Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo),   ABAP  (Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas),  AsBEA (Associação Brasileeira dos Escritórios de Arquitetura), e de importantes entidades internacionais, representantes da América, da África e dos arquitetos de língua portuguesa. O Brasil vive hoje um outro momento em sua arquitetura, muito diferente das condições que criaram o modernismo dos anos 50, nossa escola de maior evidência internacional. Os profissionais brasileiros buscam a recuperação da importância da  arquitetura brasileira no exterior e o Congresso Mundial da UIA é uma oportunidade de mostrar novas soluções e propostas do potencial brasileiro.

Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba, ex-governador do Paraná e ex-presidente da União Internacional dos Arquitetos (UIA) sai em defesa da candidatura da Cidade Maravilhosa neste vídeo:

Em entrevista para o site do IAB, a arquiteta Nadia Somekh, conselheira titular do Brasil na UIA e presidente do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da cidade de São Paulo (Conpresp), afirma que o próximo congresso tem que ser na América Latina já que “As especificidades da Ásia já foram discutidas, assim como as da Europa. Agora, as demandas da África estão em foco. Chegou a vez das Américas conduzirem o debate”. Ela ainda defende que é preciso aumentar a discussão sobre urbanização de favelas para contrução de cidades mais democráticas “o papel do arquiteto não pode se limitar aos projetos das grandes incorporadoras, mas deve ser ampliado, com a disseminação de projetos de qualidade. Nas favelas, há uma população que está excluída.”

A última vez que um país da América Latina sediou o fórum mundial foi em 1978, no México. Esta é a primeira vez que o Brasil se candidata. O próximo congresso será em Seul, na Coréia do Sul, em 2017. O Congresso Mundial da UIA é maior e mais importante fórum de arquitetura, que reúne milhares de participantes de todo o mundo. Cada evento foca um tema pertinente, que é desenvolvido por personalidades da arquitetura internacional. Debates, apresentações, tours e festivais fazem do congresso o melhor local para o encontro e intercâmbio de conhecimento entre profissionais e estudantes de arquitetura.


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