Brasil: igrejas com melhores projetos arquitetônicos

Igreja de Nossa Senhora de Montserrat (RJ)

Construída no século XVII, a igreja barroca Nossa Senhora do Pilar é uma das mais belas do Rio, com revestimento em ouro, um órgão de 1773 e grades de jacarandá em seu interior. Por volta de 1880 a capela, situada então em Vargem Grande, foi derrubada por um vendaval e foi reerguida em Vargem Pequena, com o nome de Nossa Senhora do Mont Serrat.

A Igreja, assim como o mosteiro apresentam fachadas sóbrias e relativamente simplórias – inspiradas no Maneirismo português, estilo arquitetônico empregado em Portugal nos séculos XVI e XVII, estas fachadas são caracterizadas pela justaposição de formas geométricas rígidas, realçadas por bordas em pedra talhada (cantarias) que contrastam com o restante em alvenaria caiada. As janelas e aberturas quase quadradas, e o acabamento piramidal sobre as torres da Igreja em conjunto com pequenos elementos esféricos são outros traços característicos deste estilo.

 

© Halley Pacheco

Em contraste com seu exterior austero, o interior da Igreja de São Bento é riquíssimo em detalhes e é considerado um dos melhores exemplos da arquitetura barroca brasileira. Com pinturas, esculturas e expressivos entalhes em madeira (em parte dourados) executados em épocas distintas, incluindo peças do século XVII, este conjunto decorativo apresenta grande harmonia compositiva. No mosteiro, a azulejaria portuguesa no hall de entrada (século XVII), a antiga biblioteca, as capelas abacial e das relíquias e o claustro neoclássico são outros elementos de grande valor histórico e artístico.

 

Igreja São Francisco de Assis, Pampulha (BH)

A Igreja de São Francisco de Assis é um dos grandes pontos turísticos de Ouro Preto, em Minas Gerais. A igreja, que começou a ser construída na década de 1760, é um dos projetos mais conhecidos do artista Aleijadinho, reconhecido pelo estilo barroco. A maior parte da pintura é de responsabilidade do Mestre Ataíde, que decorou o teto da nave criando aquela que se tornou sua composição mais famosa. Considerada uma obra-prima da arte colonial brasileira, ela foi tombada pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o antecessor do IPHAN, já em 1938 – um dos primeiros monumentos protegidos pela instituição.

Os modelos barrocos europeus se desenvolveram no Brasil resvalando em soluções rococó – mais leves, simples e suaves. As construções perderam suas feições monumentais, e os templos adquiriram toques intimistas e dimensões reduzidas. A decoração em pedra-sabão constitui outro traço peculiar e original do barroco mineiro. A decoração, com anjos, elementos vegetais, fitas, guirlandas e entrelaçados em madeira e pedra-sabão, confere movimento e dinamismo à obra. A planta da igreja mostra um espaço modelado por superfícies convexas, em que as torres cilíndricas, recuadas, conectam de modo sutil o frontispício e o corpo da igreja. A elevação principal é outro elemento a dotar de leveza o conjunto, que parece menor do que efetivamente é.

Foto: Arquiteturas, SescTv

 

A solução de recuar as torres – que são deslocadas do plano da fachada a partir de uma espécie de movimento em rotação – dá destaque ao frontispício. Na composição deste, a portada ocupa lugar central, dominando a superfície entre as duas janelas do coro. O medalhão, no alto, permite aferir a mão precisa do entalhador. A Santíssima Trindade do retábulo, com a virgem ao centro, mostra-se uma peça de grande valor escultórico. Nela destacam-se a ênfase nas expressões faciais das figuras e os efeitos dos olhos, característicos das esculturas do Aleijadinho. O motivo da lua crescente com as pontas voltadas para baixo, que arremata a peça, repete-se no forro de Athaide, acentuando o diálogo entre escultura e pintura.

 

Catedral da Sé (SP)

A Catedral da sé foi uma das primeiras igrejas construídas em São Paulo. Ffamosa pelo seu estilo neogótico, ela começou a ser construída na década de 1590 e passou por diversas restaurações, mas sua versão atual só foi de fato finalizada pela mãos do alemão Mazimilian Emil Hehl, à data professor de Arquitetura na Escola Politécnica (USP).

A igreja tem 46 metros de largura, 111 de comprimento e uma cúpula de 65 metros de altura. A construção do edifício foi feita em granito maciço e nos seus acabamentos foram usadas cerca de 800 toneladas de mármore. Seu interior tem capacidade para abrigar até oito mil pessoas.

Uma curiosidade da catedral é o carrilhão de sinos holandeses, o maior da América Latina. São 61 sinos, todos de bronze; os cinco principais pesam cerca de 35 toneladas juntos. O som tem um alcance de até dois quilômetros. Desde sua última restauração, o conjunto de sinos é acionado eletronicamente.

Foto: Vagner Campos/ TV Globo

 

Diversas igrejas brasileiras se destacam pela forma arquitetônica. Na lista das mais bonitas ainda podemos incluir a Igreja São Pelegrino, em Caxias do Sul (RS); a Catedral Nossa Senhora Aparecida, em Brasília (DF); o Mosteiro de São Bento, em São Paulo (SP); Basílica de Nazaré, Belém (PA); entre outras.

 

 

Fontes: Arqguia // Itaú Cultural



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