Dia das Mulheres: grandes nomes da arquitetura brasileira

Para celebrar o dias das mulheres, apresentamos três arquitetas brasileiras com ricas histórias de vida e obras arquitetônicas que atingem as diferentes áreas do ofício.

 

Mayumi Watanabe de Souza Lima

Reprodução/Revista Habitare

A arquiteta Mayumi Watanabe de Souza Lima nasceu no Japão em 1934. Formou-se no Brasil, onde também construiu sua vida profissional, tendo sido naturalizada brasileira em 1956. Já no país, trabalhou com grandes nomes da arquitetura nacional, como Vilanova Artigas, Joaquim Guedes e Lina Bo Bardi. Fez sua graduação em arquitetura, porém seu mestrado foi na área de História e Filosofia da Educação. Essa formação teve influência direta na obra arquitetônica de Mayumi. A arquiteta elaborou uma série de projetos de escolas públicas para o país, tendo participado da construção de algumas delas. Desenvolveu ainda projetos de mobiliário e restauração para colégios. Ao longo de mais de trinta anos de trabalho junto a educadores, administradores de ensino básico, creches e crianças fora e dentro de instituições, a arquiteta discutiu e analisou questões relativas aos espaços destinados à criança em nossa sociedade. Seguindo nessa linha de trabalho, publicou dois livros: Espaços Educativos, uso e construção (Brasília, MEC/CEDATE, 1986) e A Cidade e a Criança (São Paulo, Nobel, 1989).

Mayumi desenvolveu o assunto também a partir da sua experiência acadêmica. Foi professora na Faculdades de Arquitetura e Urbanismo da UnB, em Brasília, de Santos, de São José dos Campos e da Escola de Engenharia de São Carlos. Era aliada ao Partido Comunista e teve importante papel na discussão sobre a atuação profissional dos arquitetos a partir da crítica ao modo de produção capitalista. Colocava seus alunos em contato com as favelas no primeiro ano de estudo, buscando a politização dos estudantes. Acreditava na arquitetura aliada às mudanças sociais. Apesar da sua extensa atuação política e profissional, que inclui ainda o projeto de blocos residenciais da quadra 107 Norte de Brasília e o detalhamento e coordenação das obras do MASP, não existem registros fotográficos de Mayumi ou de sua obra disponíveis na internet. Faleceu em 1994.

 

Carmen Portinho

Carmen Portinho/Divulgação

Nasceu em Corumbá (MT), em 26 de janeiro de 1903, mudando-se muito cedo para o Rio de Janeiro. Feminista, militou nas décadas de 1920 e 1930 em prol da conquista feminina e do reconhecimento profissional das mulheres.

Em 1919, participou, com Bertha Lutz, da organização do movimento sufragista. Atuou na Federação Brasileira pelo Progresso Feminino desde sua fundação, chegando à vice-presidência. Tomou parte, também, na criação da União Universitária Feminina no ano de 1932. Na defesa do direito das mulheres ao voto, Carmen e outras companheiras chegaram a sobrevoar o Rio de Janeiro, na década de 1920, lançando panfletos em defesa do sufrágio feminino: “Isso no tempo em que nem aviões decentes existiam”, comentou em uma entrevista.

Em 1937, ajudou a criar a Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas (ABEA) e foi sua primeira presidente. Na ocasião, esta era a única entidade profissional de classe composta exclusivamente por mulheres. Em 1926 formou-se em engenharia civil na Escola Politécnica da Universidade do Brasil, sendo a terceira mulher a se formar engenheira no país. Fez uma brilhante carreira profissional. Sua primeira construção foi a Escola Ricardo de Albuquerque, no subúrbio carioca do mesmo nome.

No Rio de Janeiro, durante a década de 1950, propôs e construiu o conjunto residencial Pedregulho, no bairro de São Cristóvão; o projeto arquitetônico foi de seu marido Affonso Eduardo Reidy. Na década de 1960 assumiu a construção do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Mam-RJ), também projetado por Reidy. Em 1966, a convite do então governador Francisco Negrão de Lima, criou a Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), uma experiência pioneira para a época, pois havia poucas escolas de desenho industrial no mundo. A mais famosa era a Bauhaus, na Alemanha. Carmen dirigiu a Esdi por 20 anos, só deixando o cargo quando a escola foi incorporada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), instituindo-se o rodízio para os cargos de direção.

Em 1987, foi convidada pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CDNM) a entregar ao presidente da Câmara dos Deputados, Ulisses Guimarães, ao lado de outras mulheres, a Carta das Mulheres aos constituintes, com propostas para a Constituição que estava sendo escrita.

Faleceu em 25 de junho de 2001.

 

Carla Juaçaba

Nascida em 1976 no Brasil, Carla Juaçaba formou-se em arquitetura na cidade do Rio de Janeiro, onde tem atuado profissionalmente com projetos de destaque internacional. Na área residencial, possui uma série de casas erigidas, tais como a Casa Mínima e a Casa Rio Bonito, que chamam atenção pela integração com a paisagem natural. Possui ainda obras inseridas em outras tipologias, como o desenvolvimento de museus históricos relacionados à arte nativa brasileira e o projeto do Pavilhão da Humanidade, obra temporária executada para o evento Rio +20, a qual se destacou pela adequação ao contexto de desenvolvimento sustentável da ocasião. Em 2013 a arquiteta foi contemplada com o prêmio ArcVision – Mulheres da Arquitetura.

 

Fonte Archdaily ; FGV CPDOC

 



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