Ruy Ohtake: “A população gosta muito dos meus trabalhos, mas os arquitetos, não”

by Portal Arquitetura | 11 de abril de 2019 18:14

Formado em 1960, Ruy Ohtake atua na prática arquitetônica há mais de cinco décadas, tendo trabalhado juntamente com outros grandes nomes da arquitetura brasileira, como Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha. Até meados da década de 1980, sua produção se caracteriza por projetos bem alinhados com o que se produzia então em São Paulo – uma arquitetura notadamente brutalista, pautada por poucos materiais e um vocabulário bem definido.

No entanto, a partir daquele período, a obra de Ohtake mostra uma transformação singular, ausente em outros arquitetos da época. Repleta de cores e ícones facilmente identificáveis – vêm à mente o Hotel Unique ou da sede do Instituto Tomie Ohtake, por exemplo – sua produção mostra um caráter popular na medida em que atrai o gosto (e apelidos) da população, mas ao preço de frequentes críticas por parte de colegas de profissão.

 

Imagem cortesia de Instituto Tomie Ohtake

 

Em depoimento a Eduardo Sombini, Ohtake discorre sobre a gênese do modernismo no Brasil, sua admiração pela obra de Niemeyer e Aleijadinho, e por que os arquitetos não gostam de seu trabalho:

A população gosta muito dos meus trabalhos, mas os arquitetos, não. No começo, eu ficava preocupado porque a inteligência da arquitetura levantava polêmica. Há um establishment aqui, e eu dei um passo à frente. Todo rompimento no que está instalado gera polêmica com quem está na vanguarda, mas a arte e a arquitetura avançam em saltos.

 

Texto original ArchDaily[1]

Fonte: Folha de S.Paulo[2]

 

 

 

Endnotes:
  1. ArchDaily: https://www.archdaily.com.br/br/914831/ruy-ohtake-a-populacao-gosta-muito-dos-meus-trabalhos-mas-os-arquitetos-nao
  2. Folha de S.Paulo: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/04/para-ruy-ohtake-arquitetura-deve-dar-saltos-contra-a-estagnacao.shtml?utm_medium=website&utm_source=archdaily.com.br

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