Um mundo novo num futuro próximo

by Portal Arquitetura | 17 de outubro de 2019 13:26

Paulo Markun

 

Urbanizar as favelas e garantir o acesso de todos a acesso de todos a habitação segura, adequada e a preço acessível. Esta é apenas uma pequena parte do Objetivo 11 da Agenda 2030 – um conjunto de 17 objetivos, que se alcançados, irão construir um mundo novo e mais justo.

Imagine um planeta onde todos os homens e mulheres têm acesso a serviços básicos, como educação, saúde e moradia. Onde todo cidadão ou cidadã tem direito à propriedade e ao controle sobre suas terras; uma propriedade que não esteja exposta à vulnerabilidade de eventos extremos – desastres econômicos, sociais e ambientais. Um planeta regido por medidas e sistemas de proteção social, afinal.

Onde a fome e qualquer forma de desnutrição sejam banidos e seja assegurado o acesso de todas as pessoas a alimentos seguros, durante todo o ano. Que valorize a produtividade agrícola e a renda dos pequenos produtores de alimentos, particularmente das mulheres, povos indígenas, agricultores familiares, entre outros. Um sistema sustentável, que ajude a manter os ecossistemas e a diversidade genética neles existentes.

Um planeta em que assegure vida saudável para todos, com baixos índices de mortalidade. Bem diferente deste, que hoje habitamos, onde as doenças crônicas e aquelas resultantes de desastres são responsáveis por milhares de mortes. Mais de 70% delas provêm de doenças não transmissíveis, principalmente cardiovasculares, respiratórias, câncer e diabetes, doenças que atingem cerca de 40 milhões de pessoas por ano.

Onde seja garantida a educação inclusiva e equitativa, e possibilitadas oportunidades de aprendizado ao longo da vida, para todos. Que, a longo prazo, assegure trabalhos decentes e de qualidade, alavancando o crescimento econômico.

E, pensando em crescimento econômico, que haja investimentos em infraestruturas resilientes, em industrialização sustentável e em inovação. Que assegure mudanças nos padrões de produção e de consumo responsáveis e harmônicos para com o meio ambiente.

Um mundo onde a educação valorize a diversidade cultural e a igualdade de gênero. Sem qualquer tipo de discriminação e violência contra a mulher. No Brasil, no ano de 2018, cerca de 1,5 milhão de mulheres foram agredidas ou sofreram tentativa de alguma forma de agressão; entre os casos de violência, 42% ocorreram no ambiente doméstico- levantamento do Datafolha, para a ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Uma terra, enfim, onde seja assegurada a disponibilidade e a gestão sustentável da água e saneamento para todos, além do acesso universal, moderno e a preço acessível da energia – com grande participação das renováveis. Medidas que combatam a mudança climática e reduzam seus impactos, conservando a vida dos oceanos, dos mares e recursos marinho, protegendo e recuperando os ecossistemas terrestres, gerindo florestas, combatendo a desertificação e revertendo a degradação da terra.

Utopia? Mas com prazo e compromisso global, acordado pela maioria dos governantes, que comprometem-se em viabilizar as metas acima até 2030. Um plano mesmo, elaborado em cima de 17 objetivos e 169 metas que visam o desenvolvimento sustentável. Estamos a pouco mais de dez anos do prazo estabelecido para o cumprimento da proposta, cuja missão é erradicar a pobreza do mundo e promover vida digna para todos.

Em 1992, aconteceu no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, onde mais de cem chefes de Estado discutiram e concordaram no caminho para garantir às gerações futuras o direito ao desenvolvimento.  Ali surgiu a Agenda 21.

Vinte anos depois, quase 200 delegações voltaram à cidade carioca para renovar o compromisso. A Rio+20 serviu para avaliar o progresso obtido até então e pensar novas metas, tendo como foco a economia verde e o arcabouço institucional para o desenvolvimento sustentável. Eis que surge a Declaração da Conferência Rio+20.

Esses encontros globais deveriam guiar as ações da comunidade internacional nos três anos seguintes e dar início ao processo de consulta global para a construção de um conjunto de objetivos universais de desenvolvimento sustentável para além de 2015 – ano em que foi, de fato, adotada a Agenda 2030.

Há mais de 25 anos imaginamos esse planeta… Mas sem sonho, sem projeto, o futuro jamais se concretizará.

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